sábado, 5 de novembro de 2016

Tanto tempo ser vir escrever aqui para você, filho. Tive a ambição infantil de descrever toda a sua infância por aqui, um desejo que só podia surgir na cabeça de uma mãe de primeira viagem que não tinha a mínima ideia de onde estava se metendo. A maternidade é uma jornada majestosa porém extremamente cansativa, e com a vida que levamos, torna-se praticamente impossível registrar em palavras todas as emoções que acontecem. Porém hoje, meu filho, aconteceu algo que me deu vontade de deixar registraso. Acho que pela primeira vez enxerguei você como um ser independente e não um pedaço de mim.
Estava tentando lhe convencer a não dormir na casa de sua avó por pura preguiça de ter que sair para levá-los. Tentei persuadir você de várias formas, mas você estava irredutível em sua decisão. Até que apelei para a conhecida arma das mães: a chantagem emocional. Falei que iria ficar triste se você fosse dormir fora e me deixar sozinha; entrei na barraca de brinquedo que fica em seu quarto e fingi chorar. Você, imediatamente, entrou na barraca, me beijou, me fez um carinho e disse: - Não chora, mamãe, você não pode ficar triste porque eu vou dormir na vovó. Eu volto amanhã pela manhã, tá bom? Não fica triste.
Naquele momento de fofura eu só consegui pensar que aos quatro anos você já aprendeu duas coisas extremamente importantes: empatia em ver alguém sofrendo, mas ainda assim seguir com o seu desejo. Senti um misto de orgulho e também tristeza, porque entendi naquele instante que quando a vida lhe chamar, quando um desejo nascer em seu peito, você será capaz de ir atrás dele. E isso é bom, muito bom.
Mas foi também a primeira vez que vivi o sentimento de ser deixada para trás e de acreditar nas palavras que eu dizia até então em vão: meu filho é do mundo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Para não deixar para amanhã...

Mais de um ano sem registrar aqui uma história, uma frase.
Eu que me comprometi documentar a sua infância com detalhes, tenho deixado passar tanta coisa por pura falta de tempo.
Tanta coisa aconteceu nesse tempo que não vou lembrar dos detalhes.
Só sei dizer que você anda crescendo rápido, está lindo e esperto, e estamos cada dia mais apaixonados: você, eu, seu pai.
Acabamos de passar por um momento delicado: mamãe precisou viajar a trabalho para muito longe, e ficou fora por mais de vinte dias. Você ficou com papai e vovó Regina e se comportou como um verdadeiro mocinho. Sofremos todos, mas passamos por mais essa prova, saindo dela ainda mais unidos. Quando voltei, foi uma alegria só. Desde então, você está um grudinho com a mamãe. Me abraça, me beija, fala que me ama e faz carinho no meu rosto. É o melhor carinho do mundo! Ainda consigo enxergar um pouquinho de medo nos seus olhos de que eu suma de novo. E isso corta meu coração, ao saber que fiz você sofrer de alguma forma. Não posso prometer que isso jamais vai acontecer, e algumas vezes, será realmente necessário. Seu pai e eu estamos batalhando pelo nosso futuro, filho.
Esta viagem marcou também o fim de outra etapa em nossa vida: a amamentação. Filho, pode contar para todo o mundo: você foi amamentado por três anos e um mês! Três anos de dedicação, de vínculo, de cumplicidade. A mamãe aproveitou essa viagem para tomar essa decisão. Não foi fácil porque uma vez encerrado, é um período que jamais voltará. E já sinto falta dos nossos momentos, de você no meu colinho aninhado, da nossa troca de olhares. Você não lembrará desses momentos, filho, mas eu jamais vou esquecer. Porque foi essencial na contrução do nosso vínculo. Porque é gratificante demais alimentar um filho. Porque por um tempo eu era tudo o que você precisava. Eu, que quando engravidei achei que não conseguiria amamentar direito, virei praticamente uma vaquinha leiteira. Leite tipo A, como diz o seu pediatra. Só muito amor, filho, para prolongar esse momento por tanto tempo, porque é bom, é divino, mas é também cansativo. Cumprimos nossa missão com louvor. Tenho muito orgulho de nós dois, da nossa história. Como é recente, você ainda alisa meu peito e pede "peitinho" de vez en quando. Mas consigo distrair você e logo você esquece. Era o momento, filho. As vezes, não podemos deixar o momento certo passar.
Agora estamos na luta para desfraldar você, que se recusa a usar o penico ou o vaso. Mamãe criou um mural do xixi, para cada vez que você acertar, você vai ganhar um adesivo. Sei que premiar não é a melhor forma de educar, mas estou tentando de tudo! Vamos ver o que conseguimos, meu moleque resistente... 
Apesar de tudo o que anda acontecendo no mundo, seguimos nosso caminho em paz e harmonia. Eu me emociono ao perceber quanto amor existe em nosso lar, filho, e creio que isso será a base para o seu futuro e seu caráter.
Você é uma criança adorável. E eu tenho muita sorte de ter você em minha vida.





quarta-feira, 9 de abril de 2014

Já dizia meu pai....

"Depois que filhos pari, nunca mais dormi" (já dizia meu pai). Quando não é manha, é febre. Se não é febre, é virose ou dente. Às vezes não é nada disso, é só preocupação. E as vezes, é insônia mesmo. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

2 anos de Felipe

Filho, você completou dois anos! O amor que eu sinto por você não para de crescer, assim como você. Você se tornou um garotinho lindo e esperto. Corre mais que anda, fala muito, é elogiado pela tia da escola (ela diz que você e sua prima Larissa se destacam) e é muito esperto. Você já conta até dez sem dificuldade, identifica os números fora de ordem, canta várias músicas, saber o nome da maioria dos bichos, conhece as pessoas da família, repete tudo o que falamos (o que nos obriga ter muito cuidado com o nosso vocabulário), pede os DVDs que você quer assistir e senta no sofá pra esperar. É simplesmente apaixonado por carros,não sei de onde saiu isso. Minha porção paranóica e viajante da maionese morre de medo de você querer ser piloto (porque vc nasceu no mesmo dia que o Senna e tenho medo que alguma  influência cósmica aja no seu destino, kkkk). Ainda mama na peito e eu ainda não tive coragem de fazer você parar. Espero de verdade que você desista sozinho, não vou ter coragem de tirar isso de você. Outro dia você disse: -Peitinho bom!, depois me abraçou. O seu olhar continua me dizendo que eu sou seu mundo e preciso aproveitar cada momento, pois tudo está passando muito rápido e logo o mundo será mais interessante que sua mãe. Saiba que você anda numa fase terrível também, os famosos "teribbles two". As vezes chuta, belisca, puxa o meu cabelo, faz birra...Nem tudo são flores na maternidade, filho, mas na seqüência de uma mal criação, você faz uma gracinha e não conseguimos ficar bravos com você por muito tempo. Mamãe tem pensando muito sobre educação, limites e estas coisas. Nos preparam para tudo nessa vida, filho: pra ser um profissional, um motorista, etc. etc, mas não nos preparam para a tarefa mais importante e desafiadora que é educar um filho. Sei que não vou acertar sempre, filho, tenho certeza que algum dia irei te decepcionar, mas saiba que mesmo errando, eu vou errar amando você. Me pergunto se algum dia você vai realmente ler o que está escrito aqui...Espero que sim. Quero que você tenha certeza do quanto foi amado e querido. Mães não são eternas, infelizmente, mas meu propósito é deixar um pouquinho de mim para você. Saiba, em qualquer momento que você ler isso, que EU TE AMO.

domingo, 2 de junho de 2013

Por uma mãe (autor desconhecido)

Ele é o nó no meu cabelo.
O esmalte descascado na minha unha,
as olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas,
o amassado nas páginas do meu livro,
o rasgado no meu caderno de anotações.
Ele é o melado no controle remoto,
o canal de televisão,
o filme no DVD.
Ele é o farelo no sofá,
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador,
o mouse escondido,
as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos móveis,
o embaçado nos vidros,
o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado,
a porta do banheiro fechada,
a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça,
o amarrotado nas roupas,
as frutas fora da fruteira,
os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água,
a espuma no chão do banheiro,
o brinquedo dentro da privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no áquario,
a árvore de natal,
os "pisca-pisca" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto....
A primeira visão da lua no começo da noite....

O valor do trabalho, a vontade de aprender,
a minha força,
a minha fraqueza,
a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada,
a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro,
o barulho,
a metade,
o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir,
o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama,
a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama,
a paz quando me abraça,
a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé,
o meu interesse pela vida,
a minha admiração pelas crianças,
o meu respeito pelas pessoas,
o meu amor por Deus.
É o meu ontem,
o meu hoje,
o meu amanhã.
Ele é a vontade,
a inspiração,
a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa
a esperança.

A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e bonito.
A minha vida!