segunda-feira, 16 de agosto de 2004

Glossário do casamento

De Milton Faro

Durante o período que antecede o casamento, algumas palavras e expressões muito comuns do nosso idioma passam a adquirir um significado absolutamente diferente do conhecido. Se o casal não se inteirar do novo vocabulário, vai sentir-se deslocado dessa comunidade de que agora faz parte: a comunidade dos noivos. Vamos a elas:

NOIVO: Esse é o novo nome do rapaz que vai se casar. Se antes se chamava Mário, Roberto ou Gerson, pode esquecer aquela estória de pegar emprestado nome de avô, fazer numerologia, ou todo e qualquer trabalho que os pais tiveram para decidir como chamá-lo. A partir de agora ele é o “noivo”. As pessoas passarão a se referir a ele como “o noivo chegou!”; “o noivo pode experimentar o meio-fraque”; “o noivo precisa encolher a barriga”; “o noivo está muito bem com esse traje”; “o noivo assina esse recibo”; “o noivo paga agora”; “o noivo pode deixar um cheque para trinta dias”; “e outro para sessenta”; “o noivo está fugindo”; “pega o noivo, pega!”


NOIVA (ou noivinha): Sabe aquela estória de ser Clara, Solange ou Cibel, acabou! Agora ela é a noiva, ou noivinha se for pequenininha. “Que noivinha mais linda!”; “a noiva precisa ficar quieta para eu poder maquiá-la”; “não pisca, não pisca não, noiva!”; “se a noiva não ficar quieta, eu furo seu olho”.

MÃE: de origem tupi (vide rede Tupi de Televisão, uma das primeiras emissoras a transmitir novelas chorosas). No sentido mais amplo significa “dramalhão”. No sentido específico quer dizer “aquela que chora copiosamente e inunda a igreja”.

PAI: o mesmo que caixa eletrônico. Os noivos digitam uns números. O pai atende. Os noivos solicitam uma quantia determinada. O pai pede com uma voz cibernética que aguardem e consulta a central que é a mãe. Ela diz que sim. Os noivos ouvem a contagem das notas. “Venham apanhar o dinheiro na nossa casa”. Nossa casa, nosso banco. Funciona 24 horas, às vezes mais. Depende do aperto e depende do pai. E ainda tem a vantagem do débito nunca cair na sua conta.

AQUI ESTÁ O ORÇAMENTO: É o mesmo que “isso é um assalto”. Raramente acontece de ouvir essa expressão nos cruzamentos de ruas das grandes cidades mas é comum nos buffets, floriculturas e costureiros. Não é preciso nenhuma arma. Eles estendem o papel e dizem “aqui está o orçamento”. Os noivos devem erguer os braços, entregar todo o dinheiro, as carteiras, os relógios de pulso e ainda voltar mais tarde com um cheque. Não adianta reagir. Alguns aceitam cartão de crédito.

FICAR NOIVO: significa “ficar louco”. Por exemplo: o rapaz chega no ambiente de trabalho e confidencia aos amigos “estou juntando um dinheiro porque vou ficar noivo”. Todo mundo olha assustado. Os mais corajosos perguntam “você ficou louco?”.

MODELO EXCLUSIVO: fabricação em série de vestidos de noiva e de madrinha à venda nas melhores casas do ramo (ou pelo menos nas mais escondidas para que uma não veja o modelo da outra)

CURSINHO DE NOIVOS: na maioria das vezes significa “chatice”. Por exemplo: “Essa festa está um cursinho de noivos” significa que um grupo de casais, desconhecidos entre si, se reuniram num determinado lugar, desde às sete da matina de um lindo domingão ensolarado, muito a contragosto, para ouvirem um outro casal relatar sua experiência conjugal durante horas a fio, entre quatro paredes. Depois do casamento, esqueça essa expressão. Jamais diga algo parecido com “nós vamos fazer um cursinho de noivos nesse sábado e contamos com vocês”. Ninguém irá. Não será obrigatório dessa vez.

CUNHADO: Futuro mais-do-que-imperfeito do verbo “emprestar o carro” ou “arranjar um emprego”.

IRMÃO CAÇULA DA NOIVA (vale para irmão do noivo também): é pior que um simples cunhado. Funciona como promoção de supermercado: leve a noiva e ganhe um irmãozinho caçula de presente. É comprar o xampu e receber de graça o anticaspas. Só que nesse caso, o irmão caçula é a caspa. Aquela coisinha incômoda que não sai do seu ombro e fica pentelhando o tempo inteiro. Não adianta pegar o moleque de jeito e lhe dar uma boa “lavada”. A noiva vai chiar, não irá falar mais com o noivo que daí arrumou sarna para se coçar – o que é bem pior que caspa.

SALGADINHOS POR CABEÇA: é um mero instrumento de medição, tal como quilômetros por hora ou ciclo por segundos, utilizado pelos buffets, que medem quantos salgadinhos são necessários para encher a pança dos convidados. Não significa que haverá uma guerra de coxinhas de frango na recepção. Os noivos abreviam “salgadinhos por cabeça” por “p.q.p” tão logo saibam o preço cobrado pelo buffet.

AZEITONA (OU EMPADINHA): é aquele cartãozinho que vai anexo ao convite de casamento e que indica que o convidado é amigo o bastante para ir na boca livre. Dos demais, os noivos só querem mesmo o presente. A desvantagem da azeitona é que não poderá ser utilizada nos drinques preparados pelo buffet. A vantagem é que ela significa que vai ter um montão de drinques na festa, os drinques serão todos de graça e ninguém tem que se preocupar com isso.

OS NOIVOS OFERECEM A RESIDÊNCIA: É um termo muito delicado que precede o casamento quando os noivos enviam um cartãozinho agradecendo os presentes e participando o novo endereço. Na atual crise econômica é delicado demais e sugere-se complementar o texto “os noivos oferecem a residência, mas não hoje, pelo amor de Deus, e não por mais de uma semana”

PRÉ-DATADO: Futuro desesperado do verbo “cobrir a conta no Banco” (Ver também “quem cortou o limite do meu cartão de crédito?”). Por exemplo: “vai cair um pré-datado amanhã!”. Sugestão do noivo: “Vamos pegar dinheiro no Caixa Eletrônico?” E ligam para o pai. 




Denisinha&Cia
enviado por: Tatiana
Aahahaha...mto show esse glossario...ja ta entrando no clima,hein, amiga?
sugestao proce q esta nesta fase de preparacao do "ate que a morte os separe"...vai ver o filme "Diario de uma paixao"(The Notebbok), com seu noivo , mas leve umas tres caixas de lenço de papel...rs

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