segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Tenho que ir ao ginecologista. Odeio. Só de pensar, me dá dor de barriga. Ainda mais com a SII na minha vida. Tenho exames prontos desde outubro que ainda não levei. Vou tomar bronca do doutor e, provavelmente, ele vai me mandar fazer tudo de novo...Saco...E daí? O que nós, pobres leitores, temos com isso? Explico. Aqui estava eu, "trabalhando", procurando algo para distrair minha mente ociosa...Eis que me deparo com um texto com o título acima. É hilário! E real...Mulheres de todo o mundo vão se identificar com a descrição do sacrifício de ter as entranhas examinadas...Vamos ao texto:
Papanicolau, o mau
De Ailin Aleixo

Homens pensam que abrir as pernas é a maior moleza: só deitar ali, arrancar a calcinha e correr pro abraço. Na maioria das vezes é até verdade, mas um dia no ano, durante muitos anos, esse ato tão banal e (se a moça tiver sorte) corriqueiro vira um martírio abissal: o dia do Papanicolau.
Menos uma data santa e muito mais um mergulho ao inferno do desconforto, o dia do Papa Nicolau começa com aquele famoso "Pode despir-se e colocar esse avental com a abertura voltada pra trás". Pelada, descalça sobre o chão frio e com um ventinho batendo na bunda, vamos (nós, mulheres) nos encaminhando para a sala de exame. Ao abrir a porta, temos a visão do hall do Hades: uma maca coberta por lençol de papel, dois apoios para os pés, um computador esquisitão e um médico com aquele sorriso polido que diz, na verdade, "Não precisa ficar sem graça só porque jamais te vi na vida e agora vou cutucar até a sua amígdala".
Enfim, deitamos. Deslizamos a bunda até a beira da maca, abrindo até a alma para a exploração eminente, encaixamos os calcanhares nos apoiadores. "Agora, relaxe". Respiramos fundo e então ele adentra o âmago do nosso ser. Gelado, mais duro do que estamos acostumadas, fino, metálico (ou pior, de plástico; sorry pelo aparte). Um troço bizarro chamado espéculo. Ele percorre o caminho que você, homem, faz coisas absurdas e inconfessáveis para percorrer, e enfim chega ao ponto final: ali pertinho do colo do útero, onde alguns homens adoram brincar de bate-estaca nos provocando sensações tão agradáveis quanto uma perfuração de tímpano. E então, expiramos aliviadas. Por pouco tempo.
Algo dentro de nós se expande e alarga. Quer dizer, mais ou menos dentro. Dentro e fora, pra ser exata. O bico de pato estilizado afasta nossas cara-metades inferiores até que a zona do agrião fique completamente, absolutamente, inteiramente aberta e livre para o ataque final: o dedo. E nessa hora, que horror, uma tremenda vulnerabilidade nos assola. Além de escancaradas, temos um pedaço de mão cutucando cada canto e cavidade, procurando caroços, carnes estranhas e toda sorte de possíveis doenças. Mas não é nelas que pensamos enquanto nossa bexiga é pressionada e os ovários são coçados. Pensamos é no quanto aquela situação lastimável vai durar. E então, num transe anual, enxergamos o mundo através dos olhos de Einstein: o tempo é mesmo relativo (o exame nunca dura mais que 5 minutos mas parece que daria para assistirmos Spartacus e a Trilogia do Senhor dos Anéis na sequência).
Você já acha suficiente? Ah, quanta inocência! A retirada do dedo não é o fim, é o anúncio da hora da entrada de um tipo de palito de sorvete que escarafuncha e raspa nossas umidecências para retirar o "material" que será analisado e dirá se nossa querida xana está 100% em ordem e habilitada para uso contínuo. Só daí somos despirulitadas (retiram do meio de nós o que estava nos espetando) e fechamos tudo o que estava aberto.
E pensar que a homarada faz o maior estardalhaço e arma um baita dramalhão mexicano só por causa de uma mera dedadinha no tras
eiro. Mas como são mocinhas, não?

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