segunda-feira, 6 de março de 2006

Dez formas de amar

Oi...Estou sem tempo para posts pessoais...Vou deixar um texto lindinho extraído do "Garotas que dizem ni. Adoro este blog! O link está aí do lado.
Bjs e até mais,
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O que é o amor? Fácil. É quando o sujeito entra pela sala e vê a garota com as mãos cobertas de sangue frente a um cadáver. E antes de perguntar o que aconteceu ou gritar ou desmaiar, ele diz ?onde a gente enterra??. É a definição mais simples para o sentimento pleno de uma pessoa por outra. Mas não existe apenas esse tipo de amor. Ele tem muitas faces.
Eu conheço ao menos dez formas de amar. Aposto que os românticos de verdade, os poetas e os cientistas têm 2.538 outras. Contribuo com as minhas.

Amor de mãe: Nem precisa explicar muito, porque talvez seja o sentimento mais seminal que há. O mais puro, delicado e abnegado do mundo. Alguns têm medo de perder o amor de uma recém-mamãe porque aquele pacotinho chorão e fedido vai lhe roubar todo o coração. Na verdade, os nenéns trazem consigo um novo órgão vital, reservado só pra ele dentro da mamy, e que será cativo para toda a eternidade. Haja o que houver.

Amor de pai: Sou garota, em teoria não sei dizer como funciona isso. Mas arrisco porque, pombas, eu tenho um. E sei que, para os rapazes, nada no mundo é mais essencial do que zelar, proteger e mimar os pimpolhos. É um amor que dá a certeza: se algum desgraçado mexer com seu moleque ou sua princesa, corre risco de ser retalhado em cem pedaços e passado no moedor de carne até virar farinha. É singelo, o amor paterno.

Amor de irmão: Nesse caso, tapas podem significar carinho e socos podem mostrar que ele realmente se importa contigo. Por mais que deixemos de ser crianças, sempre vai sobrar aquele tabefe na nuca ao som de ?toma, palhaço?, indicando toda uma ternura fraternal. Irmãos passam a vida inteira lado a lado, são as pessoas com as quais acabamos convivendo mais. Já deu um sopapo no seu hoje, pra dizer o amor que você tem por ele?

Amor de namorado: Pode ser facilmente confundido com uma paixão forte. O que difere é a ligação, as gentilezas que sobram com o outro. Todo mundo pode ir à locadora para pegar um filme e chegar no consenso sobre o título escolhido. Mas só o sentimento mais profundo faz a garota aceitar ver ?Renascido do Fogo Fatal ? Parte 9? e o menino concordar com ?Noruega dos Meus Amores?. Isso é amor verdadeiro, só pode dar em casório.

Amor de marido: E então vem o casamento de fato e o amor vira uma coisa diferente. Nem melhor, nem pior, mas superdiferente. Como superar as brigas pela tigela de brigadeiro imunda na pia ou a meia suja largada à frente das visitas? Você sabe que pode perdoar quase tudo daquele indivíduo estranho que faz barulho quando come ? mas não porque assinou um papel perante o juiz, e sim porque... inexplicável, mas é o amor.

Amor de amigo:No fim das contas, é o que dura mais. Desde que seja um amigo do bom mesmo, Aquele Amigo. Você comete atrocidades, erra, se engana, rola em cima do erro, erra mais um pouquinho... e o cidadão está lá, sem julgar ou mudar de opinião sobre você. Ainda é capaz de fazer uma piada, chamar você de ?safadodemerda? e te dar um abraço. E então você sabe que nada no planeta esmorece aquele que tem o amor verdadeiro de um amigo. Nem que seja aquele ?safadodemerda?.

Amor animal: Não levo fé em quem nunca se apaixonou por um focinho molhado, um bichano de olhar penetrante ou um peixe colorido. E daí que não é gente? Melhor! Amor de bicho é genuíno, é aquilo e pronto. Incondicional e perfeito. Só quem já sentiu o enrolar de um rabão peludo nas canelas sabe que se pode entregar o coração todo a um bichinho e, com ele, rir, chorar e se descabelar. Floco, eu ainda penso em você todo dia, negão! E sem vergonha!

Amor-objeto: Não vá julgar o sentimento nobre que aquele garoto nutre por sua coleção de times de Botão. Não critique o carinho enorme com o qual a mocinha escova suas botas Prada. São coisas, meros aglomerados de matéria sem vida, mas acalentam muitos corações. Se vier aqui em casa bulir com as minhas caixinhas de música, saio dando golpes de karatê. E não mexa ainda com meus hominho Playmobil. Meus amorezinhos de plástico, ai, ai...

Amor idolátrico: É ridículo, tudo bem. Você sintoniza a TV e lá está uma adolescente se desidratando de chorar por causa do Rick Martin. Ela escreveu 12 km de ?Eu te amo, meu príncipe latino? em rolos de sulfite e pintou a cara pelo cantor. Berra como se estivessem enfiando farta de bambu sob suas unhas. Mas vai dizer que não é amor? Você aí pode duvidar, mas é sim. Ou já esqueceu de um dia ter desenhado na contracapa do caderno ?Bono e Renata? com um coração em volta?

Amor à vida: Então os problemas foram resolvidos. Não há nada pegando, nenhuma tarefa a fazer, nada de questões existenciais a incomodar. Não há sobre o que decidir ou meditar. E por esse milhonésimo de segundo, essa fração mínima de tempo, a vida é perfeita. Dá vontade de seguir vivendo para sempre, feito um maldito Highlander. Acontece quase nunca, é verdade... Mas o melhor amor talvez seja esse, o amor impossível.

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