sexta-feira, 24 de março de 2006

Que saudade da mulher honesta e o texto "Idiotice é vital para a felicidade"

Que saudade da mulher honesta e o texto "Idiotice é vital para a felicidade"
Ai que saudade do Blog da mulher honesta...Adorava ler os textos, são simplesmente fantásticos e incrivelmente reais e engraçados...Mas, infelizmente, ela parou de escrever novas crônicas em fevereiro. Gostaria de ter metade do talento dela para escrever e fazer piada das maselas da vida. Para dar uma levantada no astral da semana que foi braba; e porque hoje é sexta-feira, vou postar um texto que é dela "Ailin Aleixo, a própria mulher honesta". Um idiota criou um spam com este texto há um tempo atrás e colocou que o autor era o Arnaldo Jabor. Coitada. Tem até um livro chamado "Só os idiotas são felizes", escrito por ela. Vejam só a sinopse do livro:
"Ailin é uma dessas mulheres que, quando querem um milkshake, chacoalham a vaca. Provavelmente foi ela quem inventou a jaca só pra poder meter os pés nela. Só os idiotas são felizes não é um livro, é uma bordoada. Mas é uma bordoada bem escrita e divertida. Ela bate, mas faz a gente rir e, e o que é melhor, se sentir menos idiota por não ser igual àquelas pessoas que vivem dando risadinha em coluna social de revista. Vá até o caixa, compre e chafurde nessa deliciosa e instigante leitura."
Vamos ao texto:
Idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda, visceral. Putz, coisa pentelha.
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado do Schopenhauer? Deixe a pungência para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades. Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça? Que sabe resolver uma crise familiar mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Sim, porque é bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Em suma: desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. A realidade já é dura; piora se for densa. Dura e densa, ruim. Brincar, legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar o que sente. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? Pagar as contas, ser bem-sucedido, amar, ter filhos - tarefa brava. Piora, muito, com o peso de todos aqueles nãos. Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota. Aliás, tudo fica bem mais fácil ser for regado a idiotice, bom humor. Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. Disse certa vez: "E por que essa condenação da piada, como se a vida fosse só feita de momentos graves ou só nesses houvesse teor poético?" Estava certo.
Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, beliscar a bunda da mulher, sair pelados pela cozinha. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, pra começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que são: passageiras. A briga, a dívida, a dor, a raiva, tudinho vai passar, então pra que tanta gravidade? Já fez tudo o que podia para resolver o problema? Parou, chorou, pediu arrego? Ótimo, hora da idiotice: entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego. Tá numas de empinar pipa no sábado? Vá. Quer conversar com sua namorada imitando o Pato Donald mas acha muito boçal? E é, mas e daí? Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso? Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo.
Eu fico chateada por não ser tão idiota quanto gostaria; tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade. Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha o peso de uma bigorna. Nessas horas não preciso de cenhos franzidos de preocupação. Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, grande e impagável idiotice. Como sair pra jogar paintball - ou, melhor ainda, me olhar fixamente no espelho até notar como fico feia com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo. Como fico ridícula quando esqueço que tudo passa.
P.S: Depois de um texto assim, me sinto até mais feliz...Porque, às vezes, me sinto idiota de manter um bloguinho tendo 27 aninhos pesando nas costas. - "Que coisa infantil e idiota!" - já me disseram. Que pena que, na época, eu não respondi: "- É mesmo idiota, né? Uf, graças a Deus!"
P.S 2: Cortei o meu cabelo ontem. É incrível o poder de uma tesoura sobre o bom humor de uma mulher...

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