quarta-feira, 10 de maio de 2006

O lugar do homem

O lugar do homem

Vou postar mais um texto da Ailin Aleixo. Quando não se tem nada de bom a dizer, é melhor deixar que outros falem (ou escrevam, sei lá). Vou criar uma campanha de "Volta, mulher honesta!". Adorava o blog desta doida:

Não ligo muito para bunda de homem. É claro que quando uma redondinha passa pela minha frente, dou uma conferida - até para as desencanadas como eu, um belo traseiro masculino é item raro e de altíssimo valor estético.
Também não sou aficcionada por mãos. Apesar de adorar quando elas se enfiam nos lugares certos e tiram minhas roupas com competência, não sou do tipo que tem arrepios de tesão diante de uma palma larga. A parte do corpo do homem que mais me agrada anda meio desprezada hoje em dia. É um canto onde só quem ama tem acesso e apenas quem não tem medo de sua própria vulnerabilidade, usa. Visível para qualquer um mas que quase ninguém nota.
Sempre achei sexo algo descomplicado e espontâneo podendo, inclusive, ser muito bom mesmo quando isento de intimidade (essa aura misteriosa e quase mágica que ainda paira no inconsciente coletivo é tão presente no dia-a-dia quanto jantar à luz de velas). Por isso não considero a transa o momento máximo de entrega entre duas pessoas - se fosse, qualquer relação de prostituição seria amor. A maior intimidade que um casal pode conquistar não requer nudez, gemidos ou penumbra. Ela fica disponível, esperando ser requisitada, exatamente no lugar que mais me atrai na solidez corpórea de um homem.
Não me apaixonei muito na vida apesar das possibilidades de paixão terem sido grandes. Só depois de terminados o ardor e o desespero que sempre vêm atrelados a esse sentimento difícil, compreendi o porquê ter me perdido em outra pessoa em tão raras ocasiões: só eles, esses poucos amores, me deram voluntariamente o que eu sempre precisei (e preciso até hoje), se deram conta dessa necessidade que passa longe do interesse no limite do cartão de crédito e que não tem vínculo algum com brilhantes elucubrações e incontestáveis demonstrações de saber. Só eles notaram ser essencial deixar essa pequena área sempre à disposição porque quando os momentos difíceis nos alcançam, ou os bons, é sempre no resguardo desse canto que eu repousava minha aparente força, chorava de alegria, me abandonava de cobranças e medos.
Intimidade não são dois corpos nus e cansados depois do sexo, não é compartir dívidas ou nomes na conta-corrente e tampouco usar a mesma escova de dentes. Não é traçar planos a longo prazo porque eles, a qualquer momento, podem ser levados embora como árvores num vendaval (tão fortes na teoria, não frágeis na prática); não é saber de cor as respostas do outro, deixar de usar pimentão porque ele não gosta, jamais tocar aquela música que traz más lembranças a ela. Isso é vida a dois que pode (infelizmente) ser vivida por semi-desconhecidos.
Para mim, a intimidade se faz real quando me aninho mansamente no espaço macio entre o pescoço e o peito dele e apenas fico ali, sem necessidade de palavras. Intimidade é o momento no qual silencio a mente (e o mundo) e repouso a cabeça no meu porto-seguro, na parte mais fascinante e suave do corpo masculino: o ombro do homem que amo.

Nenhum comentário: