terça-feira, 24 de julho de 2007


Triste

Apesar de estar atrasada, não posso deixar de publicar a minha tristeza e indignação com o acidente que aconteceu na semana passada. Fiquei abalada ao saber da notícia, que me chegou num minutinho depois do meu último post, e passada com a dor das famílias. Lendo a revista Veja desta semana e vendo a foto de cada uma das vítimas, fiquei ainda mais dolorida. É tanta vida que se perdeu, tantos sorrisos...Quantos sonhos, quantas famílias destruídas. Tenho muita fé, mas me pergunto o quanto disso tudo é desígnio de Deus ou irresponsabilidade dos homens... Quando se vê o rosto ao invés de números, a dor fica maior ainda....Crianças, adolescentes, um bebê na barriga...Mães, filhos, pais, irmãos. Só mesmo Deus para curar a alma dessas famílias. Aqui fica minha solidariedade aos que sofrem uma perda como esta....

Por falta de palavras, repito as que já foram ditas.

(crônica publicada no Blônicas)

Perguntas aos assassinos dos ares

Hoje, excepcionalmente, publico no lugar de minha crônica, a coluna do jornalista Carlos Brickmann, que traduziu com perfeição meu sentimento atual


1 – Diz a TAM que o Airbus pode funcionar sem o reversor – equipamento que ajuda o jato a frear – por dez dias. Por que dez, e não onze, doze, ou nove?
2 – O avião precisa ou não do reversor? Se precisa, como é que voa com o reversor enguiçado? Se não precisa, por que a Airbus Industries o instala?
3 – Imagine o caro leitor que seu mecânico o informou de que o automóvel está com problemas nos freios traseiros. Mesmo assim, o caro leitor sai de carro e se envolve num acidente. É correto afirmar que a falta dos freios traseiros não foi importante, já que os freios dianteiros continuavam funcionando bem?
4 – O Governo Federal liberou a pista de Congonhas sem o grooving, as ranhuras que facilitam o escoamento da água. O grooving é ou não necessário? Se é, como a pista foi liberada sem ele? Se não é, por que vão fazê-lo agora?
5 – O Governo Federal diz que Congonhas recebe vôos em excesso, acima de sua capacidade. Considerando-se que a Infraero administra o aeroporto, que a ANAC regula a aviação civil, e que ambas fazem parte do Governo Federal, por que permitem excesso de vôos?
6 – Congonhas tem a pista relativamente curta há mais de 60 anos. Lá sempre choveu, e a drenagem das pistas nunca foi das melhores. Por que, de repente, começam a ocorrer problemas, derrapagens e, finalmente, a tragédia?

Quanto vale a vida

Congonhas fica numa área densamente urbanizada, onde o tempo é instável, com muita garoa, chuvas, neblina. Precisa de equipamento moderno. Já existe o ILS (Instrument Landing System) 3, que permite pouso por instrumentos, sem teto. Congonhas só tem o ILS 1, já antigo. O ILS 3 custa algo como quatro milhões de dólares – menos do que custou a reforma do terminal de passageiros. Mais detalhes sobre o funcionamento de Congonhas e suas deficiências estão no excelente artigo "Erros, omissões e fatalidades marcam trajetória do Boeing da Gol ao Airbus da TAM", do jornalista Antônio Machado, no endereço eletrônico
www.brickmann.com.br.

Dinheiro, há
O orçamento da Câmara dos Deputados aumentou, neste ano, R$ 274,5 milhões – ou seja, estão previstos gastos superiores em quase US$ 150 milhões aos do ano passado. Imaginemos que nossos parlamentares concordem em gastar só 140 milhões de dólares além do que se gastou em 2006. Sobraria o suficiente para comprar um ILS 3 moderníssimo para Congonhas e sobraria dinheiro.

Quem te vê...

O presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, disse em sua entrevista coletiva que a empresa dará toda a assistência à família das vítimas.

...quem te viu
A TAM ainda está brigando com a família das vítimas do acidente do Fokker 100 (aquele que caiu no Jabaquara, SP, logo depois da decolagem). A queda, que matou 102 pessoas, ocorreu em 31 de outubro de 1996 – há quase onze anos. Um exemplo: a casa do jornalista Jorge Tadeu da Silva, num local valorizado de São Paulo, foi destruída no acidente, e a TAM lhe ofereceu 14 mil reais – o preço de um bom barraco numa favela paulistana. Na Justiça, o jornalista pleiteia indenização maior. Ganhou nas duas primeiras instâncias, e a TAM recorreu ao STJ.

Ói eles em nóis

Os gestos obscenos do professor Marco Aurélio Garcia não devem ser julgados pelo critério da obscenidade, mas pela falta de compostura. Não se festeja um momento de luto nacional. Mesmo que não coubesse qualquer parcela de culpa ao Governo (o que, em muitos aspectos, parece excesso de otimismo), a festa é inaceitável. Ao professor, faltam-lhe modos – e ele lida com diplomacia.

Top, top, top

O senador Pedro Simon, do PMDB gaúcho, homem correto, sobre quem jamais houve acusação (seja de desonestidade, seja de falta de equilíbrio), comentou o “ói nóis neles” do professor Garcia: “É claro que a culpa é do Governo. E, ainda que não fosse, comemorar é uma bofetada na cara dos brasileiros”.

Dúvida cruel

O que é mais chocante: a Dança da Pizza da então deputada Ângela Guadagnin ou a gesticulação do assessor presidencial professor Marco Aurélio Garcia?
...

Carlos Brickmann

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