domingo, 6 de janeiro de 2008

Feliz ano novo!


Que vergonha! Já se passaram seis dias do ano e só hoje vim aqui. Pensei em mil posts de final de ano, listas, metas, tudo aquilo que todo o mundo faz, mas não deu tempo.
Voltei a trabalhar no dia 26 com pique total. O ritmo lá continua o mesmo (o que eu esperava?) e já tive que engatar a quarta pra pegar no tranco.
O Natal foi ótimo, tudo em paz, graças a Deus!
O Ano Novo foi uma farra, com píscina depois da meia noite e o dia seguinte inteirinho de sol. Ótimo pra começar o ano com o pé direito!
Agora, acabou-se as festas, e o ano começa de verdade...Tudo bem que ainda tem o Carnaval, mas, acabou-se os fins, temos agora um ano todo pela frente. Sempre gostei de virar o ano, começar um novo calendário, uma nova agenda, estrear roupa, zerar os ponteiros, acreditar que podemos fazer o melhor, o que não conseguimos no ano anterior...Por isso em breve vou mudar o layout do blog novamente, pra dar aquela cara de novidade. Vou só esperar o Gabriel nascer pra por a fotinha dele, pois com ele, com certeza, um novo tempo começa! Estou super ansiosa para ver o rostinho dele, sentir seu cheirinho, fazer muito carinho. Neném novo na família é tudo de bom!
Prometo que ainda este mês vou fazer a lista de metas para este ano e o TOP 10 dos melhores livros da Denisinha, que era para ter sido publicado em dezembro.

Fiquem com as fotos e com um texto lindo, que era pra ser publicado dia 31!
Bjs e até!


Para pensar....

A tenda do Mestre Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula pele cheia de rugas lhe pediu: Mestre, fale-nos sobre Deus...”
Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.
“Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão pensando no ar? Por favor, levantem uma mão...”
Ninguém levantou a mão.
“Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no ar. E, no entanto, todos nós o estamos respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer o seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar o seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...
“Que desejamos para os nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por aí a correr, a pular, a cantar, a brincar, pensando nas coisas de criança. Mas enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho ao se levantar viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e repetisse os mesmos gestos e palavras ao meio da tarde, e de noite fizesse tudo de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando.
Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.
“Deus é como o vento. Sentimos na pele quando ele passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvores e o seu assobio nas gretas das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de “casa de Deus”. Mas se Deus mora numa casa estará ele ausente do resto do mundo? Vento engarrafado não sopra...”
Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.
“Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê. Só se ouve o seu canto...” “Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza. Deus nos deu asas. Mas as religiões inventaram gaiolas.
Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves dos céus, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida.
Não precisamos dizer o nome “rosa” para sentir o seu perfume.
Muitas pessoas que jamais pronunciam o nome de Deus o conhecem como reverência pela vida.
Há pessoas que se sentem religiosas por acreditar em Deus. De que vale isso? Os demônios também acreditam e estremecem ao ouvir o seu nome (Tiago 2.19).
Os homens religiosos, quando alguém morre, dizem: “Deus o levou para si”. Então, enquanto vivo, ele estava distante de Deus? Deus é Deus dos mortos ou Deus dos vivos? Deus não mora no mundo dos mortos. Ele mora no nosso mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. Quer ver Deus? Veja a beleza do Sol que se põe, sem pensar em Deus.
Quer ouvir Deus?
Entregue-se à beleza da música, sem pensar em Deus.
Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o cheiro do jasmim, sem pensar em Deus.
Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma criança num balanço porque Deus tem um coração de criança, sem pensar em Deus.
Há beleza demais no Universo. Mas o tempo vai-nos roubando as coisas que amamos. Vai-se o arbusto, vai-se a montanha, vão-se os riachos cristalinos, vão-se as pessoas amadas, vamos nós... O tempo é um monstro que devora os seus filhos. Fica a saudade. Saudade é a presença da ausência das coisas que amamos e nos foram roubadas pelo tempo. Quando se pronuncia o nome sagrado, está-se afirmando que a beleza amada não está perdida no passado. Está escrito num poema sagrado: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...” (Eclesiastes 11.1). As águas dos rios são circulares, o tempo é circular, o que foi perdido volta, um eterno retorno... Deus existe para nos curar da saudade...
Eu gostaria de dar um conselho: “Não sejam curiosos a respeito de Deus, pois eu sou curioso sobre todas as coisas e não sou curioso a respeito de Deus. Não há palavra capaz de dizer quando eu me sinto em paz perante Deus e a morte. Escuto e vejo Deus em todos os objetos, embora de Deus eu não entenda nem um pouquinho... Eu vejo Deus em cada uma das vinte e quatro horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus...” (Walt Whitman) “Sejamos simples e calmos como os regatos e as árvores, e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando acabemos.” (Alberto Caeiro)
Ouvidas essas palavras a velhinha sorriu para o Mestre Benjamim e fez um gesto com a sua mão, abençoando-o.
(Rubem Alves)
* Texto condensado do livro Perguntaram-Me Se Acredito em Deus (Ed. Planeta).
extraído do site
Bons Fluídos






Um comentário:

Marili Alves disse...

Felizzzz Ano Novo!!!!
Que Deus abençõe essa família lindaaa