terça-feira, 24 de agosto de 2010

Brincadeira de verão

Imagem: dreamstime
Meus pais tinham uma chácara, perdida entre o mato e a lama. Era uma casa no meio do nada, mesmo.
Mas tinha um cheiro de verde que não lembro de ter sentido em nenhum outro lugar na vida.
Para crianças, como minha irmã e eu, que não tínhamos opção e éramos arrastadas para lá (quase) todos os finais de semana, nada tinha para se fazer. Nada. Daí a gente inventava.
Não sei se foram muitas vezes, ou somente uma, mas na minha lembrança existe uma brincadeira muito divertida, num dia de muito calor. Colocamos bíquini e brincamos de restaurante. Foi assim: tinha uma bandeja e alguns bules, que roubamos da cozinha  - devia ser resistente, pois não lembro de ter quebrado nem levado bronca. Enchíamos os bules de água, numa enorme caixa d'agua que ficava atrás da casa. Tinha também uma mesa branca de fibra, que completava o cenário e servia de restaurante imaginário. A gente revezava. Uma hora eu era "servida", outra hora eu "servia".
Mas a garçonete (qualquer uma delas) era muito desajeitada. Toda vez que trazia o pedido, derrubava tudo na cliente! Água para todo lado! E daí pedia mil desculpas: - desculpa senhora, vou trazer outro pedido...E derrubava tudo de novo....
Foram muitas gargalhadas - tão simples e inocentes - destas que não cabem mais na vida de adulto.
Passamos horas nessa brincadeira, boba e feliz, que refrescou a nossa infância.

Nenhum comentário: