quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ah, Buenos Aires...


Que delícia é descobrir um lugar. E mesmo sendo um lugar novo, se sentir em casa. Foi assim em Buenos Aires.
Apesar de ser nossa primeira vez, foi como se a cidade nos pertencesse. 

Vista da Villa Crespo, pela nossa sacada
 A única coisa ruim foi que ficamos poucos dias. Fomos embora com um gostinho de quero mais, mas muito alegres por termos feito as escolhas certas.
A começar pelo hotel Querido. Um hotel pequeno e muito aconchegante, do jeito que a gente gosta. Sem frescuras, mas ao mesmo tempo, muito charmoso. As media lunas no café  da manhã com dulce de leche eram um sonho.  Decoração vintage, uma graça. As pessoas então, não poderiam ser melhores. Não saímos um dia sem que eles nos dessem a direção certa, uma dica, um sorriso.

Ficamos na Villa Crespo, um bairro tranquilo, onde caminhamos muito, inclusive à noite. Apesar de tranqüilo, com muitas atrações bem pertinho. Restaurantes, outlets, barzinhos. Tudo, num pulinho. 
Hola, como te llamas?
Mais um presente: o restaurante Salgado... Que massa é aquela! Comi "raviólis de carne de búfalo ao molho funghi". A massa derretia na boca. Um vinho para acompanhar, o meu amor, e uma brisa fresca que embalou o nosso almoço. Mais um lugar despretensioso e charmoso, que se pudesse, levava no bolso. 
Depois caminhar... Andamos muito, sem destino, pela Recoleta e  por Palermo. Fizemos passeio de criança no Zoo. Sorrisos simples ao imaginar o sorriso da llama.  Ver as crianças com aquele belo sotaque curtindo os animais. A alma aquieta e é nessas horas que somos felizes por completo.
Meu lugar preferido? O Rosedal. Tivemos a sorte de conhecer Buenos Aires na primavera. O parque estava todo florido e encheu os nossos olhos com uma explosão de cores: rosa, amarelo, branco, vermelho. Uma paz imensa. E uma sensação de gratidão. Sempre agradeço pelas belezas deste mundo.
O tango....Fomos ao Piazzolla, na Florida, e adoramos. A música é bem tocada. Os cantores são excelentes.   A dança é linda. A expressão forte no rosto dos dançarinos encanta. Emana paixão mesmo. Até o marido que não gosta, se rendeu aos trançados de perna. É contagiante, mesmo que você nunca tenha ligado para tango durante a sua vida.
Os livros: El Ateneo Grand Splendid. Que sonho! Parada obrigatória aos amantes da literatura. Fiquei um tempo olhando os títulos nas prateleiras, sentindo o perfume dos livros...Quem não gosta de cheiro de livro novo?  Mas não se deve deixar de olhar pra cima!  O lugar é mágico e inesquecível.
Mais comida e bebida: Bar 878, onde provamos "hamburguesa de cordero" e "wrap de pollo organico". Delícia!  O restaurante Social Paraíso e a cestinha de pães maravilhosos que devoramos (duas!).  A refeição: "Ojo de bife delicioso e mil hojas de vegetales". As empanadas quentinhas do La Continental. Assadas na hora. Sai até fumacinha do recheio. Hummmm... O sorvete Freddo. A cerveja Otro Mundo. Os vinhos. Os havannetes. Ainda bem que estes eu pude trazer para casa. Um a cada noite, até o fim das duas caixas...  Até o que não foi o melhor, foi bom: Il Gato, em Puerto Madero. 
O passeio do ônibus turístico foi sensacional. Conhecemos uma boa parte da história da cidade de forma confortável e divertida. O sotaque da narrativa em português é muito bacana. 
Descemos em La Boca. La Bombonera. Vimos o colorido do Caminito. Feira de San Telmo. Obelisco. Casa Rosada. Puerto Madero. Lugares cheios de história e cultura.
Apesar de receosos, não tivemos problemas com os tão falados golpes em Buenos Aires. Não recebemos nenhuma nota falsa. Os taxistas foram muito simpáticos e atenciosos conosco. Sorte? Talvez. Foram dias de sorte mesmo. Conhecemos um velhinho taxista que falava pelos cotovelos. Que nos disse ter sido jogador de futebol profissional. Que viajou de moto pelo Brasil e outros países da America Latina por três meses. Que nos contou um pouco da história da Argentina nos 30 minutos de viagem. E afirmou que o melhor jogador de futebol brasileiro na opinião dele foi o Rivelino e não o Pelé. Engraçado demais. Concordamos? Não. Mas rimos à beça.
Adoramos as cores da cidade. Adoramos o barulho das conversas, com um sotaque diferente. Adoramos a moda divertida das pessoas comuns. Dos cabelos despenteados das meninas portenhas. Dos penteados engraçados dos rapazes.
Buenos Aires é um lugar que tem alma. Que encanta.
Já sabíamos que Buenos Aires despertava paixões. Agora, eu e ele, somos mais dois apaixonados por esta linda cidade. 
Foi isso. Uma viagem deliciosa onde fizemos muito, mas que ainda ficou muito por fazer. Buenos Aires, querido: voltaremos um dia.



domingo, 17 de outubro de 2010

Sobre o roteiro

O Marcelo diz que sou maluquinha. Mas bem que ele se beneficia das minhas pesquisas. Quando fomos para Noronha, fiquei meses, pesquisando os lugares pra comer, onde ir, qual é melhor, o que vale mais a pena, preços, pousadas, essas coisas. Valeu cada hora perdida. Conseguimos uma pousada ótima, por um preço justo. Confortável, comida e cama excelentes. Ví umas pousadas por lá que me deram medo. Descobrimos uma pizzaria super romântica e gostosa que estava completamente fora das indicações para turista. Sem esquecer o Xica da Silva, o peixe mais gostoso da ilha. Enfim, quem não pesquisa, cai em algumas armadilhas.

Agora em Buenos, estou na mesma situação. É tanta informação que fico até confusa. Filtrar o que é sério é tarefa difícil. Mas até que consegui boas dicas.
O achado: hotel Querido. Já tinha feito reservas no Art Hotel, gostei das fotos, apesar de algumas poucas resenhas negativas. Mas continuei procurando. Até que cheguei ao site Mi buenos aires, querido, escrito por uma brasileira. Gostei. Depois descobri que ela tinha um hotel novinho. Gostei mais ainda. No facebook, me comuniquei com alguns ex-hóspedes do hotel que me deram referências excelentes...Minha intuição me mandou na hora cancelar as reservas do Art e fazer novas com ela. O atendimento até agora foi ótimo, só simpatia. Acredito que fiz uma boa escolha.
O viaje na viagem  é outra fonte maravilhosa pra qualquer destino. É só pesquisar que está tudo lá. Tem muita coisa sobre Buenos Aires. Me ajudou horrores com Noronha. É divertido e ele é muito atencioso com todos.
Outros que acho que vale a pena:
Filigrana, apaixonada por Buenos Aires
E o post divertido Buenos Aires para virgens, do Bala Perdida. Marcelo adorou esse. Rí bastante.
É isso.
P.S: Tô vendo que vai ser outro domingo preguiçoso de cama, com o note no colo, sem vontade de mover nada além dos dedos e dos olhos.

De papo pro ar....


Nala levando a sério a palavra "férias".
 Ai que maravilha! Já estou de férias há uma semana. Dormi muuuito nos primeiros dias. Mas muito mesmo. Tipo quase um dia inteiro. Lí bastante, fiquei na internet vendo besteiras sem compromisso, quase não ví televisão.
Já fui ao shopping pela manhã, que eu adoro, porque não tem quase ninguém. Cinema as três da tarde. Soneca sem horário. Tive dois aniversários, que você vai sem problemas, porque não precisa acordar cedo no dia seguinte. Eu adoro estar de férias. Agora estou nos preparativos para a viagem. Ainda não arrumei a mala, o preparativo que me refiro é mental. Zilhões de pesquisa sobre o que fazer. Pensar em que roupa levar. Definir roteiros. Essas coisas que são ótimas de se fazer antes de viajar.
Enfim, estou bebendo cada gotinha do descanso, porque ele se vai muito rápido. Hoje é o primeiro dia do horário de verão e estou meio fora de órbita. Primeiro porque tomei uns vinhozinhos ontem no aniversário do Jorge. Depois, porque por mais legal que seja, a gente perde uma hora de sono. E sono e comida são coisas deveras importante pra mim. Acordei as onze e parece que o dia nem existiu. Ainda me acostumo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O vestido do palhacinho

Acho que é a primeira recordação da minha infância. Um vestido azul marinho, com um palhaço segurando balões de gás. Os balões faziam barulho, como uma buzina. Não tenho nenhuma foto dele, mas tenho a certeza de ter tido algo assim.
Devia ter uns dois, ou três anos....
Eu só lembro que eu era muito feliz com ele.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

E por falar em cenas...

Impossível esquecer esta rosa na escada rolante. Estou romântica hoje, kkkk

Tangos e milongas

Acho que eu já disse que entro em curto circuito quando estou perto de viajar. Fico pesquisando tudo, desde onde ir, comer, ficar, passear, gastar, etc. etc.
Agora estou atrás de um bom tango. É tanta opinião que estou até confusa. Não estou nem um pouco afim de ver cavalos e Evita, mas também não quero pagar um fortuna por um tal de Rojo Tango, que parece lindo, mas muito caro. Não sei nem se vou gostar, afinal. Estou entre dois que me parecem apresentar um tango verdadeiramente portenho. Vamos ver...
Pra ilustrar, um tango lindo em uma cena de um filme inesquecível: Perfume de Mulher. E outro que dá até calor do Dança Comigo..Pena que o Marcelo não mexe nem os dedinhos pra dançar...rs rs







domingo, 3 de outubro de 2010

A ilha sob o mar

Minha primeira lembrança de felicidade, quando era uma pirralha magrela e desgrenhada, é a de mexer ao som dos tambores...
A música é um vento levado pelos anos, pelas lembranças e pelo temor, esse animal preso que carrego dentro de mim.
Com os tambores desaparece a Zarité de todos os dias e volto a ser a menina que dançava quando mal começava a andar. Bato no chão com as solas dos pés, e a  vida sobe pelas minhas pernas, percorre meus ossos, apodera-se de mim, acaba com a minha tristeza e adoça a minha memória.
O mundo estremece. O ritmo nasce de uma ilha sob o mar, sacode a terra, atravessa-me como um relâmpago e segue em direção ao céu, levando as minhas aflições...
"Dance, dance, Zarité, porque escravo que dança é livre...enquanto dança."
Eu sempre dancei.

Trecho do livro - belíssimo e emocionante -  de Isabel Allende, a Ilha sob o mar.

Segundo turno

Ouviram minhas preces..Haverá segundo turno para presidente.
Difícil, mas não impossível.
Minha esperança cresce novamente.

Dia de eleição

Hoje acordei cedo para votar. Um dia de primavera bem esquisito: frio e chuva.
A esperança vai comigo até o colégio onde voto e vou rezando para que Deus ilumine a cabeça desse povo. Que a pior de todos não seja a escolhida como vem alardiando as pesquisas. Eu, pelo menos, nunca fui pesquisada. Tenho medo de verdade deste resultado.
Eu levo muito a sério a eleição e sofro quando vejo que a maioria leva na brincadeira o futuro do nosso país. Essa coisa de que pior não fica é furada.É palhaçada mesmo. É possível piorar, e muito.
Penso num país já tão castigado e que futuro pode existir para os meus filhos...
Não acredito em super-heróis ou políticos perfeitos. Mas acredito em gente bem e mal intencionada. Gente de boa e má índole. Gente que erra tentando acertar e gente que só pensa em seu umbigo. Só vejo o lado ruim de uma candidata e vejo também a população cega ao seu comportamento duvidoso.
Mas tenho esperanças, ainda.