domingo, 3 de outubro de 2010

A ilha sob o mar

Minha primeira lembrança de felicidade, quando era uma pirralha magrela e desgrenhada, é a de mexer ao som dos tambores...
A música é um vento levado pelos anos, pelas lembranças e pelo temor, esse animal preso que carrego dentro de mim.
Com os tambores desaparece a Zarité de todos os dias e volto a ser a menina que dançava quando mal começava a andar. Bato no chão com as solas dos pés, e a  vida sobe pelas minhas pernas, percorre meus ossos, apodera-se de mim, acaba com a minha tristeza e adoça a minha memória.
O mundo estremece. O ritmo nasce de uma ilha sob o mar, sacode a terra, atravessa-me como um relâmpago e segue em direção ao céu, levando as minhas aflições...
"Dance, dance, Zarité, porque escravo que dança é livre...enquanto dança."
Eu sempre dancei.

Trecho do livro - belíssimo e emocionante -  de Isabel Allende, a Ilha sob o mar.

Nenhum comentário: