quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vovô e o castigo

Eu sempre falei muito, desde pequena. E continuo até hoje. Falo até cansar (ou alguém me mandar parar)...
Um dia na escola, acho que na primeira ou segunda série, de tanto conversar, a tia me deu um castigo: escrever zilhões de vezes a frase:
"Não devo conversar em sala de aula".
Mamãe ficou brava e me deixou em casa, aos cuidados do meu avô. Lembro dela dizer para ele:
- Pai, olha essa menina que ela está de castigo.
Meu avô olhou. Olhou, ficou com pena de mim e me tirou do castigo. Brincamos muito aquela tarde...
Um pouquinho antes de minha mãe voltar, ele me pôs de volta na frente do caderno. Danadinho.
Foi divertido. Aquele olhar cúmplice entre meu avô e eu quando minha mãe voltou para casa.
Acho que esta é a única lembrança que tenho do meu avô, lembrança minha e dele somente.
Logo depois, ele se foi...Mas a imagem do velhinho magrinho, de cabelo de algodão, sem vergonha e brincalhão, nunca mais saiu da minha mente.

P.S: De nada valeu este castigo, uma vez que continuei conversando muito em sala de aula, da primeira série ao MBA. Culpa do vovô.

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