sábado, 25 de dezembro de 2010

Página 369

A vida, entendeu, era bem parecida com uma música.
No começo há mistério, e no final, confirmação, mas é  no meio que reside a emoção e faz com que a coisa toda valha a pena.
Pela primeira vez em meses, não sentiu dor alguma; pela primeira vez em anos, obteve as respostas às suas perguntas. Ao ouvir a música que Ronnie havia composto, a música que Ronnie havia aperfeiçoado, fechos seus olhos sabendo que tinha terminado sua busca pela presença de Deus.
Finalmente, havia entendido que a presença de Deus está em todo lugar, em todos os momentos, e é sentida, em um momento ou outro, por todas as pessoas. Estava nos momentos em que havia trabalhado com afinco na janela com Jonah; estava nas semanas em que havia passado junto com Ronnie. Estava ali e agora, enquanto sua filha tocava aquela música, a última que iriam partilhar. Em retrospectiva, perguntou-se com tinha deixado de perceber algo tão incrivelmente óbvio.
Deus, entendeu subitamente, era o amor em sua mais pura forma e, nesses últimos meses com seus filhos, tinha sentido Seu toque com a mesma certeza que ouvia a música pelas mãos de Ronnie. 

Trecho do belíssimo livro A última música, de Nicholas Sparks

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