quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ser santista: um estado de espírito

Por Mírian Ribeiro
extraído do site do Jornal da Orla


O santista tem um jeito de ser tão natural, que suas particularidades passam despercebidas a si próprio. E não se restringe apenas à mania, de certo modo rebelde (por saber que desobedece à norma culta), de concordar o pronome em segunda pessoa com o verbo em terceira: "Tu viu". "Tu vai". "Tu foi"... 

O comportamento santista está presente no vestuário, nos hábitos e manias, na descontração. Bermuda e chinelo, mesmo à noite, para aguentar o calor ou por puro comodismo de quem vive em uma cidade litorânea. 

Aquela caminhada na beira do mar, cumprimentando pessoas que sequer saber o nome - são colegas de trajeto - ou encontrando casualmente um amigo que há muito não se via. Não é o que acontece? 
Passear com o animal de estimação pelos jardins também funciona para fazer amizade com outros donos, mas há quem prefira uma pedalada pela ciclovia ou simplesmente sentar em um banco e ficar apreciando o mar. 

Ter tal barraca - mesmo não sendo sócio - ou carrinho de ambulante como ponto de encontro dos amigos na praia é outro hábito do santista. 
Quem não é santista tem dificuldade de entender o endereço quando alguém sinaliza: moro no 4, fica perto do 6, é uma travessa do 2 ... 

E o que falar da expressão "vou até a cidade", usada para designar o centro de Santos? 
Santista também tem suas "tribos". Tem a "tribo" do canal 3, mais antenada com os modismos; a turma do samba na Aparecida, que garante o batuque de todo final de semana; o pessoal que frequenta o trecho descolado no final da faixa de areia em frente ao Aquário; os surfistas do José Menino e por aí vai ... 

Embora a praia seja um lugar democrático por excelência, cada um escolhe a sua. Ou melhor, cada um no seu quadrado. 

Viver em Santos é tão agradável que o santista acaba, de certo modo, acomodado. Reclama entre os amigos do que lhe incomoda, mas geralmente não cobra as mudanças desejadas de quem compete fazê-las. 
Uma mutação da alma santista - que já foi diferente. No passado, Santos foi conhecida por sua combatividade e rebeldia. 

Mar, montanha, belas paisagens, ruas planas, distâncias curtas, ofertas de serviços e lazer dos mais variados. Santos conta com predicados que convidam a fincar raízes nesta terra, um encantamento que vem desde os tempos em que os portugueses aqui puseram os pés.

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