sábado, 26 de março de 2011

Eu sou aquela mulher comum.

Muito se fala das it girls: aquelas mulheres fabulosas, que se vestem sempre na última moda, são elengantérrimas, geralmente magras, que lançam tendências, que são inspiração para outras. Elas sabem tudo. Elas possuem todos os lançamentos. Elas podem tudo. Elas vivem para isso.
Nada contra. Se isto as deixam felizes.
Mas eu sou do time da "that girl". Da mulher comum.
Eu prefiro ser aquela mulher que trabalha, ama, cozinha, gosta de moda sim, mas não é escrava disso. Que lê, que pensa por si, que filtra a moda e usa somente o que gosta. Que tem previdência privada, TPM, que fica dura de vez em quando, que compra parcelado, que faz loucuras. Aquela que fica feliz com um batom da Vult, não precisa necessariamente ser importado, divino, perfeito, "must have", o termo preferido da it girl. Porque a it girl impõe.
Sou do time das que às vezes quer sair de havaianas e short rasgado e não montada. Vive de dieta, mas se dá ao direito de comer seu chocolate ou tomar um chopp com o marido. Aquela que não tem vergonha de sentar num restaurante e mandar ver no caranguejo. Porque não é comida de mulherzinha, e tira o glamour. E eu lá quero saber de glamour? Eu quero saber de prazer!
Sou aquela que não se incomoda se o vento desmanchar o seu penteado. Aquela que se joga no mar, embaraça o cabelo, curte a praia de verdade e depois dá um jeito no estrago. O cabeleireiro da mulher comum é amigo - não tirano - e entende suas escapadelas. 
Sou aquela que prefere viver de verdade do que aparentar a perfeição em qualquer situação. Aquela que olha pra outra mulher com olheiras profundas e entende o que se passa, que é capaz de ter empatia, pois sabe como a vida pode ser dura. Aquela que entende porque outra mulher no fim do expediente está descabelada e cansada, porque vive no mundo real, e não a critica. Aquela que admira uma mulher com um corpo escultural e sente aquela invejinha branca. Mas admira mais ainda aquela amiga que acabou de ter um bebê, está um pouco inchada, mas é uma excelente mãe, trabalha, tem bom humor e dá conta do recado da sua vida. E é feliz.
A mulher comum pode ser fresca sim, mas não o tempo todo. Ela é vaidosa também, mas isto não é o centro da sua vida. Ela também tem o direito de querer estar impecável por uma noite, ou muitas. Ela tem o direito de, às vezes, gastar mais que o necessário em uma calça. Porque ela amou e ela merece. A mulher comum pode ter mais sapatos do que cabem no armário. Afinal, ela é humana e também tem seus pecados. A mulher comum pode ser o que ELA quiser. A mulher comum pode até ser referência para as outras, mas isso é natural, nada é forçado. Ela pode ser referência de caráter, não necessariamente de beleza, glamour, luxo. 
That girl: ela é, simples assim.
O que eu quero dizer com tudo isso é que a escravidão feminina ainda existe só que mudou o seu contorno. Antes éramos submissas aos homens. Agora seremos submissas à outras mulheres que ditam regras e nos obrigam a sermos, no mínimo, perfeitas? Algumas revistas, blogs e personalidades que ditam como devemos viver, vestir, o que devemos querer ou comprar?
Não, não.
Pelo menos, eu não.

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